Decidi escrever os posts do Projeto Review 2010 em momentos aleatórios quando tenho vontade, e não necessariamente todos juntos.
Se você não sabe o que é o Projeto Review 2010 e o título não é auto-explicativo o suficiente, clique
aqui.
Hoje falarei sobre os filmes vistos no cinema de julho até agora. São surpreendentemente poucos, também pela ausência de filmes interessantes, mas principalmente pelo tratamento horrível dispensado a alguns filmes, que ficaram pouco tempo em cartaz ou em horários ruins. Isso os que tiveram a sorte de estrear, né, Scott Pilgrim?
Contudo, com uma única exceção, todos foram bons filmes. Decidi cortar as cotações, não sou muito boa com esse lance de dar notas, além de que acho que as descrições falam por si só.
Toy Story 3 (3D)Toy Story 3, 2010Geralmente sou cética com continuações, mas considerando que
Toy Story 2 foi um bom filme, me senti razoavelmente tranqüila com esse aqui. Afinal de contas, a Pixar mais uma vez sabe o que faz e não tocaria em uma de suas obras mais queridas se não fosse pra fazer um filme totalmente épico.
Toy Story 3 é competente ao dar continuidade de forma natural aos filmes anteriores, fazendo com que a história flua muito bem. Agora que estamos íntimos dos personagens e mais do que apegados a eles, a Pixar se dá ao luxo de fazer uma montanha-russa emocional com o espectador, não dando folga em momento algum. Ora estamos felizes, ora tristes, ora tensos, ora empolgados, sempre variando sem aviso. Além disso o ar de nostalgia que permeia o filme inteiro nos deixa o tempo todo com um aperto no peito, provando que a Disney quer matar as pessoas de depressão. O filme é sensacional, amarra de forma impecável a saga de Woody, Buzz e cia. É o desfecho digno e necessário aos nossos heróis tão queridos, que nos faz sair do cinema nos perguntando o que fizemos dos nossos velhos brinquedos... Recomendo exaustivamente para fãs de animação e fãs de cinema em geral como uma das melhores trilogias ever. Aprovado com pulinhos e gritinhos pelo Selo de Qualidade Pri Zorzi.
À Prova de MorteDeath Proof, 2007Esse é um caso à parte, porque como o filme é de 2007, eu assisti ele baixado da internet na época em que DEVERIA ter sido lançado. Ele é parte de um projeto dos diretores Quentin Tarantino e Robert Rodriguez intitulado
Grindhouse, cuja proposta é satirizar filmes de terror B antigos. O projeto é divido em duas partes,
Planeta Terror – dirigida pelo Rodriguez, que estreou aqui na época do lançamento – e
À Prova de Morte, que sabe-se lá por qual marketing FAIL só chegou nos cinemas esse ano. Aí eu fui assistir, e é por isso que ele está nessa lista. Não mudou muito minha antiga opinião, confirmando o quanto gostei do filme. É um Tarantino menor se comparado com
Pulp Fiction ou
Bastardos Inglórios, mas ainda assim é um baita filme. Tem todos os elementos tipicamente tarantinescos, como personagens bacanas, aspecto visual impecável, trilha sonora bem selecionada e diálogos estilosos sem propósito algum. Adoro a “virada” na segunda metade do filme, é bem o tipo de coisa que gosto de ver em filmes de “terror”, tornando tudo ainda mais divertido. As referências à
Planeta Terror a meu ver tornam indispensável que os dois filmes fossem lançados juntos ou no mínimo próximos. Mas é mais um daqueles casos em que os distribuidores de filmes parecem não ligar a mínima pra determinados segmentos de público.
A OrigemInception, 2010Não são poucos os filmes que estragam tudo mesmo tendo nas mãos uma puta idéia e um elenco afiadíssimo, mas felizmente não é o caso de
A Origem. Com uma trama original e instigante, o filme te prende do começo ao fim e fica marcado pra mim como um dos melhores do ano. Apesar da complexidade das teorias que o filme cria para sustentar a sua história, ele é surpreendentemente coerente e sem furos. E olha que ficaria muito fácil se perder ali no meio, mas a condução é impecável, contribuindo para manter o espectador tenso. Achei burrice exagero quem disse que não entendeu nada, porque ele é até bem mastigadinho. Mas, claro, é preciso prestar atenção, um detalhe que se perca e a graça pode ir por água abaixo. O elenco está maravilhoso, nem tenho como destacar ninguém porque cada um fez um trabalho excelente com seu papel. O aspecto visual está simplesmente de babar, com efeitos especiais excelentes. Minha única ressalva aqui é que, tendo como cenário o mundo dos sonhos, aonde as possibilidades são infinitas, os sonhos retratados em A Origem são “quadradinhos” demais, muito organizados e coerentes, diferente do caos e abstração que os sonhos geralmente são. Também não curto a cena final, que me parece uma tentativa manjada de deixar um final em aberto e suscitar polêmica nas conversas da galera. O filme não precisava disso, já estava ótimo sem ter que apelar pra um recurso que se vê em um enorme número de filmes que querem soar intelectuais. Mas nada que estrague, ainda é um filme sensacional.
Tropa de Elite II: o inimigo agora é outroTropa de Elite II: o inimigo agora é outro, 2010Não vou me alongar muito porque já falei desse filme
aqui. Não desmerece nem um pouco a primeira parte, ao contrário, só amplia a discussão iniciada lá. É um passo seguinte natural e muito bem dado, um filme super pertinente sobre a realidade brasileira. E é um filmão, não perde em nada pros bons filmes que se fazem no exterior, tornando-se ama das melhores produções brasileiras.
Um Parto de ViagemDue Date, 2010Vou chutar que 90% das pessoas que assistem esse filme o fazem pensando em
The Hangover, uma das melhores comédias de 2009. Não é pra menos: o diretor é o mesmo, um dos atores é o mesmo e o pôster pra mim também parece ser o mesmo. Só que as semelhanças param por aí, porque ao passo que
The Hangover é uma comédia engraçada que consegue tornar críveis situações bizarras através de uma trama bem bolada e personagens carismáticos, esse filme aqui é um saco. A premissa de
Um Parto de Viagem – um cara certinho que vai ser pai de primeira viagem e acaba se vendo forçado a atravessar o país com um maluco sem noção – é manjada, mas com um bom desenvolvimento poderia resultar num filme bacana. Mas o desenvolvimento da história é sofrível, o filme é um amontoado de clichês e situações recicladas de outras produções, colocadas de forma desleixada e sem carisma algum. A palavra que melhor resume o filme é “forçado”, aonde muita coisa é totalmente inverossímil, a história não flui direito e o roteiro tem mais furos do que queijo suíço. Por conta disso, a dupla de protagonistas simplesmente não tem química e não consegue compor personagens carismáticos. Robert Downey Jr. está adequado no papel, mas bem abaixo do seu carisma cômico. Zach Galifianakis (pronuncia-se melhor com a boca cheia de comida) até aqui me parece o novo Jack Black, o cara gordo e sem-noção que faz o mesmo papel exagerado em todos os filmes. E me irrita profundamente esse senso de humor primitivo que parece ter dominado a comédia nos últimos anos, aonde as piadas sempre apelam pro humor fácil e repulsivo, seja através de piadas sexuais, nojeiras ou violência gratuita. Ou o maior feijão com arroz do gênero, que é deixar os personagens chapados e ver no que isso vai dar. Ponham isso na cabeça: pessoas chapadas não são engraçadas. Não sei porque alguns filmes pensam que ter cérebro é incoerente com ter senso de humor, mas isso é uma grande mentira. Em suma, o filme até te deixa rir aqui e ali, mas fatalmente o produto final é tedioso e forçado. E, pra completar, me consta que é uma cópia mal-feita de
Planes, Trains & Automobiles, que eu não vi, mas dizem ser muito melhor
E isso é tudo, outra hora publico mais das outras categorias.