Quando eu era pequena, aprendi na escola que a batata era um tubérculo. Fiquei imaginando, então, que seria legal se tuberculose fosse uma doença aonde a pessoa se transforma numa batata gigante. É mais ou menos assim que funciona a minha imaginação: ela simplesmente vai indo, sem se preocupar com nada. Às vezes eu consigo acompanhar, às vezes não. Mas sempre gostei de dar um espaço para as bobagens que passam pela minha cabeça. O blog é mais uma tentativa nesse sentido, aonde publico coisas que gostaria de compartilhar ou que penso que outras pessoas podem considerar interessantes também.

Aqui entram textos sobre coisas que gosto, coisas que não gosto, coisas que não gosto de gostar, coisas que gosto de não gostar, algo bacana que andei fazendo, algo bacana que conheci, reflexões sobre situações cotidianas, citações de outras pessoas, idéias mais elaboradas e idéias que pareciam geniais e dois dias depois de eu publicar parecem um saco. Gosto de repetir os mesmos assuntos e sou um vórtex de referências a cultura pop, mesmo que algumas só eu entenda. Meu texto tem aquilo que ele conta com clareza e aquilo que faz parte de uma linguagem secreta, que muitas vezes só eu falo. Nenhuma idéia deve ser tomada como minha opinião absoluta sobre o assunto, a maioria delas não vai durar muito tempo e muitas são exageradas porque era o que eu estava afim no momento. Não me sinto no compromisso de escrever com muita freqüência ou de escrever algo muito inteligente, embora eu certamente não pretenda escrever algo idiota.

Gosto de sarcasmo, humor negro e piadinhas politicamente corretas, mas sei do risco de ser mal-interpretada. Se você se sentiu ofendido, não era essa a minha intenção. Ou talvez você seja um cretino que não consegue entender uma ironia e aí o problema é seu. Cretino ou não, seja bem-vindo!







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[quinta-feira, 31 de março de 2011]

Le Mort: o Empurrador



Aos que se perguntam sobre a total ausência de atualizações desse sítio no ano corrente: não, eu não morri. Ou melhor, eu morri.

Não uma morte física, porque se fosse esse o caso eu seria um prodígio do espiritismo na era digital. Foi uma daquelas tantas mortes metafóricas pelas quais a gente passa ao longo da nossa existência, quer goste ou não da idéia. Eu, pra ser sincera, inicialmente me assustei, mas agora estou mais calma e até que estou curtindo.

Sem entrar muito no mérito do que me aconteceu nos últimos meses, desde o final do ano passado, vale citar que foi um dos períodos mais cretinos da minha vida. Graças a Deus, não sobrevivi a ele. E não deixei de sobreviver por algo que tenha feito ou deixado de fazer, mas simplesmente porque determinados momentos da vida não permitem que tu sobrevivas a eles. Várias vezes na vida a gente se encontra com a morte.

(que bom que ao menos no caso das mortes metafóricas nos é possível renascer depois. A morte física não possui essa enorme vantagem, ao menos não que se tenha comprovado. Em contrapartida, desconfio que ela traga sua própria vantagem acima da morte metafórica: a morte física é a única que não nos gera luto. Afinal, estamos mortos mesmo, não faz muita diferença. O luto é, portanto, uma afirmação da continuidade da vida. Todas as mortes metafóricas geram luto, e talvez um dos mais dolorosos: o luto por si mesmo)

Não foi a minha primeira morte metafórica, o que a tornou marcante talvez tenha sido a percepção tão aguda dela. É nessas horas que a gente se dá conta do quanto morre em vida o tempo todo e do quanto isso é um processo natural. Como diriam as pichações dos banheiros da Faced, “insanidade é fazer a mesma coisa e esperar um resultado diferente”. Também é insano ser a mesma pessoa e esperar um destino diferente.

Me recordo de uma situação ano passado, aonde descobri uns mantras bacanas para meditação. Um dos que mais gostei é justamente um dos mais conhecidos do hinduísmo: Ohm Namaya Shivaya, o mantra de adoração a Shiva. Acontece que fui descobrir que Shiva é o deus hindu da destruição, o que na hora me assustou um pouco. Imagina, tô eu fazendo minha meditação numa boa e sem saber tô reverenciando o deus da destruição? E aí fui descobrir que Shiva é muito reverenciado porque ele é aquele que destrói para dar caminho para algo novo (e melhor, suponho). Fiquei sabendo assim que a yoga, prática que eu tanto aprecio, é intimamente ligada a Shiva, justamente por se propor a transformar o corpo e a mente. Toda a transformação é uma morte, da forma óbvia como a borboleta é a morte da lagarta.

É impossível viver sem nunca morrer. Como diria Mr. Nancy, “a gente tem que morrer de vez em quando, senão não te valorizam”. Não dá pra passar a existência sem nunca se deparar com um obstáculo ou situação que nos exija que deixemos de ser aquilo que somos ou que nos livremos de algo que era nosso. E esse processo dói, ainda mais que toda a morte é irreversível. Só que têm casos em que a negação da morte seria a negação da própria vida.

Não vou entrar naquele blá-blá-blá de “olha como sou uma nova pessoa”, porque acho que esse tipo de coisa não precisa ser anunciada. Tem gente que vai perceber de imediato e tem gente que não perceberia nem se eu fosse substituída por um Sim Planta. Além disso, às vezes nem que a gente queira consegue anunciar a transformação. As verdadeiras revoluções se dão no silêncio. Não no silêncio da inércia, mas no silêncio que precede a tempestade.

Tampouco acho que eu seja uma pessoa inteiramente nova (as referências nerds, por exemplo, não morreram comigo. Consigo ver pelo menos três, e a do título eu dou um ovo de Páscoa pra quem souber de onde veio sem precisar olhar no Google. Menos tu, Thiago). É ingenuidade achar que a gente pode mudar totalmente de uma hora pra outra. Na verdade, é ingenuidade achar que a gente pode mudar totalmente, não importando quantas horas se passem. A gente muda um pouco a cada dia, alguns objetarão, e não lhes tiro a razão. Mas a morte metafórica sempre nos leva algo de peso. Ainda assim, muita coisa eu conservo comigo, coisas boas e ruins, que podem sobreviver ou não a novas mortes.

Então espero que isso tenha feito algum sentido pra vocês. Foi assim que aconteceu, dessa vez eu morri de verdade, e a morte me serviu de empurrão pra uma nova vida.


***


Nessa nova vida, diga-se de passagem, pretendo atualizar o blog com mais freqüência (apesar de que acharia difícil atualizar ele com menos freqüência). Também tenho a intenção de retomar o Projeto Review 2010 porque gostei dele e ele acabou ficando pela metade, mas decidi que não vou falar de tudo e sim apenas daquilo que me der vontade (mote que também adotarei no Projeto Review 2011). E vou ver se dou uma variada no conteúdo dos posts também.

Até.

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:: Postado por Pri Zorzi :: 01:55 ::
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