Quando eu era pequena, aprendi na escola que a batata era um tubérculo. Fiquei imaginando, então, que seria legal se tuberculose fosse uma doença aonde a pessoa se transforma numa batata gigante. É mais ou menos assim que funciona a minha imaginação: ela simplesmente vai indo, sem se preocupar com nada. Às vezes eu consigo acompanhar, às vezes não. Mas sempre gostei de dar um espaço para as bobagens que passam pela minha cabeça. O blog é mais uma tentativa nesse sentido, aonde publico coisas que gostaria de compartilhar ou que penso que outras pessoas podem considerar interessantes também.

Aqui entram textos sobre coisas que gosto, coisas que não gosto, coisas que não gosto de gostar, coisas que gosto de não gostar, algo bacana que andei fazendo, algo bacana que conheci, reflexões sobre situações cotidianas, citações de outras pessoas, idéias mais elaboradas e idéias que pareciam geniais e dois dias depois de eu publicar parecem um saco. Gosto de repetir os mesmos assuntos e sou um vórtex de referências a cultura pop, mesmo que algumas só eu entenda. Meu texto tem aquilo que ele conta com clareza e aquilo que faz parte de uma linguagem secreta, que muitas vezes só eu falo. Nenhuma idéia deve ser tomada como minha opinião absoluta sobre o assunto, a maioria delas não vai durar muito tempo e muitas são exageradas porque era o que eu estava afim no momento. Não me sinto no compromisso de escrever com muita freqüência ou de escrever algo muito inteligente, embora eu certamente não pretenda escrever algo idiota.

Gosto de sarcasmo, humor negro e piadinhas politicamente corretas, mas sei do risco de ser mal-interpretada. Se você se sentiu ofendido, não era essa a minha intenção. Ou talvez você seja um cretino que não consegue entender uma ironia e aí o problema é seu. Cretino ou não, seja bem-vindo!







That's a Bingo

Judas Dançarino

Por que isso?

avacatussa

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Falar de mim é fácil...






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[quinta-feira, 26 de maio de 2011]

I wanna be the minority



"I pledge allegiance to the underworld
One nation under dog
There of which I stand alone
A face in the crowd
Unsung, against the mold
Without a doubt
Singled out
The only way I know"



Fiquei me questionando se deveria escrever ou não sobre esse assunto, porque não gosto de comentar tópico muito falados. Mas achei que a questão dessa vez me toca bastante e eu poderia falar do tema com mais propriedade do que muita gente por aí.

Então lá vai: sou nerd. Ponto. Sou nerd há muito tempo, antes mesmo de saber que era nerd. Porque ser nerd foi mais ou menos como aqueles relacionamentos aonde as pessoas obviamente estão namorando, mas não se chamam de namorados. Eu era nerd e não me chamava assim, porque não via necessidade de me chamar de qualquer coisa que fosse. E não vejo até hoje, na verdade. Mas, pelo jeito, eu sou alguma coisa e é sobre isso que quero falar.

Foi na faculdade que encontrei mais pessoas como eu e fiquei sabendo que tínhamos um nome próprio. Pessoas que gostam de informática, RPG, Star Wars, quadrinhos, videogames, Senhor dos Anéis, anime e mangá, ciências e sei lá mais o quê. Pessoas que gostam de ler e estudar, especialmente sobre elementos obscuros como mitologia nórdica ou física de partículas. Pessoas que são inteligentes, mas socialmente desajustadas. Pessoas assim sempre existiram, mas em algum momento na história da humanidade, se convencionou chamar isso tudo aí de nerd.

E escrevo tudo isso porque hoje é o Dia do Orgulho Nerd. A data foi escolhida por ser a mesma da estréia do primeiro filme da série Star Wars, que é provavelmente o ícone geek supremo. Também é o Dia da Toalha, cujo nome só faz sentido para quem conhece a série Guia do Mochileiro das Galáxias, também um marco nerd. A data gerou muita coluna chulé internet afora falando sobre ser nerd e isso me gerou algum incômodo.

Detesto reportagens que se dedicam a analisar o “fenômeno social” do nerdismo, mas já vi várias desse estilo e todas dizem mais ou menos a mesma coisa. Segundo elas, no passado ser nerd era coisa de gente esquisita e perdedora, quase motivo pra bullying. Atualmente, com a cultura nerd fortemente disseminada e geeks como Bill Gates e Mark Zuckerberg fazendo rios de dinheiro, ser nerd virou "legal". Agora as pessoas querem ser nerds. Vou além das revistas e digo que ser nerd virou status cultural, como se ser assim te fizesse uma pessoa melhor, mais inteligente e mais culta.

Pra começar, não entendo a necessidade de uma denominação pra essa classe, porque nem ao menos sinto ela como uma classe. Já senti um dia, mas hoje vejo que não passam de hábitos ou gostos em comum e que eles não significam necessariamente pessoas parecidas em qualquer outro aspecto. Cada um é como é, e querer enquadrar tudo num mesmo grupo parece coisa de adolescente querendo se enturmar. Ou, pior ainda, coisa de auto-nomeado cientista tentando lançar gíria acadêmica.

Se eu tivesse que fazer uma lista com as pessoas mais retardadas e irritantes que conheço, arrisco dizer que a maioria delas estaria classificada como nerd. Se eu tivesse que listar os comportamentos que julgo mais abjetos em um ser humano, muitos deles seriam hábitos típicos de nerds. Boa parte das pessoas de que não gosto são nerds. Então é muito difícil eu aceitar que essas pessoas e eu pertencemos ao mesmo grupo social “da moda” só porque temos um punhado de filmes ou livros em comum.

[e é nesse ponto que eu gostaria de acrescentar que ler/ver/ter contato com determinado trabalho nem por um segundo significa que tu tens capacidade de compreendê-lo. Gostar de algo tampouco significa captar a profundidade desse algo]

Minha história nerd começou faz mais de dez anos, meio sem querer. Naquela época, o nerdismo era uma subcultura, algo bem alternativo, e os nerds e seus hábitos eram vistos como excêntricos. Ser nerd naquela época não era coisa pra maricas, até porque era bem difícil ter acesso a esses conteúdos alternativos. Pra obter revistas importadas ou livros de RPG mais raros, só na Planeta Proibido. Pra assistir animes, pede um VHS pra um distro ou fansub. Pra ouvir música, em um dia de sorte dá pra baixar a 4kbps. Pra fazer cosplay, só mesmo conhecendo uma costureira muito boa (ou sendo uma). Ser nerd era para aqueles que realmente se dedicavam a isso, e mesmo sem os comentários maldosos alheios já não era muito fácil. YOU HAD TO EARN IT, BITCH!

Hoje em dia o lance está bem diferente, não só pelas facilidades garantidas pela internet, mas porque não demorou muito pra notarem que essa subcultura tinha um grande número de adeptos. Por um lado, acho super bacana ver que os esforços de um monte de gente (meus inclusive) em trazer pra perto uma cultura alternativa deram resultado. Por outro, noto que muita coisa lixo começou a ser produzida simplesmente com o intuito de tirar proveito dessa popularização dos produtos nerds, particularmente livros de fantasia e elementos da cultura japonesa. Aquela BÓUSTA a qual Maurício de Souza chama de Turma da Mônica Jovem nada mais é do que uma resposta à modernidade.

Pra mim, o fenômeno é análogo ao que aconteceu com o All Star, que na minha época era tênis de roqueirinho, chinelão e alternativo. Meu primeiro All Star foi comprado faz uns dez anos por cerca de trinta pilas. Hoje em dia, ele custa o quádruplo desse preço porque virou tênis da moda. Não porque as pessoas tenham reconhecido o valor dele (pra mim ainda é o tênis mais bonito de todos), mas porque alguém resolveu que queria fazer pose de moda rock.

Não sou daquele tipo de gente chata que deixa de gostar de uma coisa só porque ela se torna popular, mas acho um saco quando algo legal banaliza. Parece que a coisa perde algo da sua essência. Acho particularmente ridículo que hoje em dia todo mundo quer ser alternativo, como se precisasse disso pra mostrar que tem “personalidade”. E aí o underground virou o novo mainstream, só que é um undeground tão falso quanto aqueles cortes de cabelo arrumados para parecerem bagunçados. Tu percebes de cara que o negócio é mais pose do que uma característica genuína da pessoa, se refere mais à imagem que ela quer passar do que ao que ela é. Tenho espasmos toda a vez que vejo um colega da Psicologia colocando no Facebook uma foto com jeito de drogado erótico ou de um par de tênis. Porra, é a merda de um par de tênis e o cara fica se achando o Cartier-Bresson. Mas não, aparentemente fotos com foco fazem de ti uma pessoa corrompida pelo sistema ou whatever.

Sei que ser nerd e ser alternativo são coisas diferentes, mas além de elas se encontrarem aqui e ali, acho que ambas padeceram do mesmo problema. Funcionavam bem como subculturas, quando eram a representação de algo genuíno e muito próprio de um certo grupo de pessoas. Mas a popularização desenfreada desses elementos acabou massificando justamente o que era pra ser uma expressão de individualidade. Hoje em dia parece que as pessoas seguem essa moda simplesmente porque agora ela é moda.

Eu gosto de elementos da cultura nerd, mas por todas essas constatações é que eu não gosto de ser chamada de nerd. Acho que esse estereótipo carrega consigo toda uma generalização que eu gostaria de evitar. Não faço questão de pertencer a esse grupo, simplesmente porque não faço questão de pertencer a nenhum grupo. Como animal social, preciso de interações com outros seres humanos. Mas nenhuma delas requer realmente que eu me rotule só pra me sentir participante de alguma coisa.

Tudo isso só pra dizer o seguinte: eu gosto de ser esquisita. Gosto de ser alternativa, mas tão alternativa que chego a ser alternativa aos alternativos. Gosto de gostar daquilo que ninguém mais gosta. Gosto de possuir conhecimentos obscuros sobre assuntos que parecem não interessar a mais ninguém além de mim. Gosto de passar trabalho pra perseguir meus hobbies e interesses. Gosto de ser entrangeira em uma terra conhecida. Não que eu não me pareça com as outras pessoas, lógico que pareço. Mas gosto de saber que, por trás dessa semelhança, ainda reside algo de inclassificável, que deveria residir em todo mundo.

Então fica assim: que nunca deixemos de nos sentir deslocados. É o que eu mais gosto, de verdade.



Música: Green Day - Minority
TV/PC: The Office (5ª Temporada)
DVD/Cinema: O Enigma do Outro Mundo
Livros/quadrinhos: O Invencível Homem de Ferro nº 5, Marvel Comics

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:: Postado por Pri Zorzi :: 00:38 ::
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