Quando eu era pequena, aprendi na escola que a batata era um tubérculo. Fiquei imaginando, então, que seria legal se tuberculose fosse uma doença aonde a pessoa se transforma numa batata gigante. É mais ou menos assim que funciona a minha imaginação: ela simplesmente vai indo, sem se preocupar com nada. Às vezes eu consigo acompanhar, às vezes não. Mas sempre gostei de dar um espaço para as bobagens que passam pela minha cabeça. O blog é mais uma tentativa nesse sentido, aonde publico coisas que gostaria de compartilhar ou que penso que outras pessoas podem considerar interessantes também.

Aqui entram textos sobre coisas que gosto, coisas que não gosto, coisas que não gosto de gostar, coisas que gosto de não gostar, algo bacana que andei fazendo, algo bacana que conheci, reflexões sobre situações cotidianas, citações de outras pessoas, idéias mais elaboradas e idéias que pareciam geniais e dois dias depois de eu publicar parecem um saco. Gosto de repetir os mesmos assuntos e sou um vórtex de referências a cultura pop, mesmo que algumas só eu entenda. Meu texto tem aquilo que ele conta com clareza e aquilo que faz parte de uma linguagem secreta, que muitas vezes só eu falo. Nenhuma idéia deve ser tomada como minha opinião absoluta sobre o assunto, a maioria delas não vai durar muito tempo e muitas são exageradas porque era o que eu estava afim no momento. Não me sinto no compromisso de escrever com muita freqüência ou de escrever algo muito inteligente, embora eu certamente não pretenda escrever algo idiota.

Gosto de sarcasmo, humor negro e piadinhas politicamente corretas, mas sei do risco de ser mal-interpretada. Se você se sentiu ofendido, não era essa a minha intenção. Ou talvez você seja um cretino que não consegue entender uma ironia e aí o problema é seu. Cretino ou não, seja bem-vindo!







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Judas Dançarino

Por que isso?

avacatussa

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Falar de mim é fácil...






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Mickey Rourke e as especiarias
O incrível mês da banheira molhada
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Projeto Review 2010: Especial Harry Potter
Projeto Review 2010: Filmes no Cinema II
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Meu comentário definitivo sobre as eleições de hoj...

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[quinta-feira, 23 de junho de 2011]

Projeto Review 2010/2011: Livros



Pra variar o final de semestre fez eu me passar por mentirosa naqueles papos de que atualizaria o blog com mais freqüência. Como eu disse um tempão atrás, pretendo continuar atualizando o blog com breves resenhas sobre livros, filmes e similares que eu esteja acompanhando. Então dessa vez resolvi fazer um compêndio com os livros que sobraram do ano passado e os que li no começo desse, já que não eram muitos.

Coloquei junto à resenha uma frase ou pequena passagem de cada livro, seja um trecho que tenha marcado ou um que eu considere que exprime bem o estilo da história. Não coloquei notas porque não tava com paciência acho que as descrições já estão falando por si só.



A Torre Negra vol. I – O Pistoleiro
The Dark Tower vol. I – The Gunslinger
Stephen King, 1982, revisado em 2003

“O homem de preto fugia pelo deserto e o pistoleiro ia atrás”

Foi praticamente por insistência do Thiago que resolvi começar a série The Dark Tower, conhecida como a magnum opus de Stephen King. Esse foi recém o segundo livro do cara que eu li, sendo que ainda não conheço as obras de terror que o tornaram famoso, como Carrie, It e O Iluminado. Portanto, realmente não sei dizer se esse projeto é a obra prima dele. Mas é certamente a obra mais ambiciosa.

Digo isso nem pelo tamanho, mas pela proposta do universo criado por King. Como ele próprio coloca na introdução, ele quis criar o seu próprio O Senhor dos Anéis – e fãs do Tolkien como eu hão de perceber referências à obra aqui e ali. Nesse primeiro volume da série, temos uma amostrinha do universo criado por King, um cenário rico que mistura fantasia com modernidade, com fortes elementos de cultura pop e western.

Só tenho que confessar que o livro às vezes soou confuso demais. Não tanto pela forma como foi escrito, porque nisso o King se segura bem, mas pelo excesso de nomes de personagens e locais, muitos dos quais não explicados em nenhuma parte desse volume. E como a história não contada de forma muito linear, é comum aquela sensação de “peraí, aonde foi que eu ouvi esse nome antes...?”.

King não te dá nada muito mastigado e ainda deixa muitos ganchos pros livros seguintes. Em termos de continuidade isso é bacana, mas dificulta pro leitor novato que ficou sem entender muita coisa. A obsessão de Roland pela Torre Negra simplesmente não me toca, até porque nem entendi direito o que é a Torre Negra! Não sei como Roland ficou sabendo dela, nem o que ele acha que pode fazer e muito menos o que o Homem de Preto tem a ver com essa zona toda. Tentando não estragar a história mais pra frente, King acaba estragando um pouco dela agora.

Ainda assim, dou o desconto porque o livro apresenta um universo com um potencial muito bacana, o que foi suficiente para que eu quisesse ler a continuação. De fato, ele atua como uma longa introdução ao restante da série, aonde a recompensa pela leitura está mais nos detalhes, como algumas seqüências muito boas e personagens sempre interessantes.


Os Filhos de Húrin
The Children of Húrin
J. R. R. Tolkien, organização de Christopher Tolkien, 2007

“- Thurin Adanedhel, por que ocultaste teu nome de mim? Se eu soubesse quem és não teria te honrado menos, e sim compreendido melhor teu pesar.
- O que queres dizer? – disse ele – Por quem me tomas?
- Por Túrin, filho de Húrin, capitão do Norte.”


A maioria das pessoas só conhece Tolkien por O Senhor dos Anéis ou seu precedente direto, O Hobbit, mas o autor tem uma série de manuscritos e obras incompletas organizadas e publicadas posteriormente por seu filho Christopher. O Silmarillion e Contos Inacabados são as mais expressivas dentre elas, narrando as histórias dos Dias Antigos, fundamentais para quem quiser ter uma idéia da extensão da mitologia criada pelo cara. É um universo tão rico e detalhado que não se parece com nada que eu tenha visto antes, exceto talvez a Bíblia.

O Conto dos Filhos de Hurin é uma das diversas histórias inclusas nos enormes compêndios que são o Contos e O Silmarillion e a primeira - e até eu sei, única a ganhar um livro próprio, aonde os rascunhos espalhados são organizados e complementados.

Nesse sentido, contudo, o lado ruim de Os Filhos de Hurin é que ele não apresenta muita novidade para quem já leu a história antes nos outros dois livros. O lado bom, por outro lado, é que a nova organização tornou a leitura bem mais fluida, fazendo jus a um conto tão bacana. Ler essa obra depois de ter lido O Silmarillion e o Contos Inacabados facilita muito para ter uma noção melhor do contexto aonde ela se desenrola, mas acredito que tal leitura prévia não seja obrigatória: Christopher foi bem parceiro e colocou uma introdução bacana que te diz praticamente tudo o que tu precisas saber. Se os outros dois livros padecem pelo excesso de nomes e personagens, aqui os Dias Antigos sofrem uma certa enxugada e só aquilo que importa para essa história é revelado. Além do mais, há um glossário bem completo no final do livro que ajuda bastante.

A história em si eu considero sensacional, haja visto que o protagonista, Túrin Turambar, é o meu personagem favorito da mitologia Tolkeniana. Esqueçam os heróis costumeiramente perfeitos dos épicos: Túrin é cheio de falhas e defeitos, e freqüentemente as merdas que acontecem com ele são fruto da sua teimosia ou arrogância. É um dos personagens mais humanos de Tolkien e um dos mais fodões também.

Com o mundo antigo em pé de guerra, Húrin Thalion, um dos grandes capitães dos homens, mesmo capturado e derrotado resolve peitar Morgoth, o Mal encarnado que faz o Sauron de O Senhor dos Anéis parecer um valentão de colégio. Com o orgulho ferido, Morgoth amaldiçoa os filhos de Húrin, fazendo com que eles SÓ SE FODAM o tempo todo, só aconteça DESGRAÇA e todos os personagens legais que cruzam o caminho deles MORRAM HORRIVELMENTE. E ainda assim é uma puta história! Graças ao Túrin, porque a vida dele obedece os seguintes passos: 1) Ele chega num lugar novo; 2) Ele mostra que é FODÃO ESCALPELADOR DE ORCS e sai DETONANDO ROQUENROU contra os servos do Morgoth; 3) Dá alguma merda braba, alguém morre, uma grande injustiça é cometida, ou raio que parta que faz com que o Túrin precise procurar um outro canto; 4) Volte ao passo 1.

Em suma, apesar de o cara se foder o tempo todo, ele é autor de grandes feitos, mostrando que o destino escolheu o sujeito errado pra sacanear. A história é trágica, épica e empolgante ao mesmo tempo. Em tempo, gosto tanto de Túrin que adoraria que fosse verdade o destino pós-morte que Tolkien escreveu para ele, que jamais foi publicado por conta do excesso de contradições envolvendo o acontecimento no qual ele se desenrola. De qualquer forma, a história é sensacional. E que alguém nos traga Beren e Lúthien!


O flâneur: um passeio pelos paradoxos de Paris
The flâneur: a stroll through the paradoxes of Paris
Edmund White, 2001

“Para o perfeito flâneur, para o observador apaixonado, é um imenso prazer fixar residência na multiplicidade, em tudo que se agita e que se move, evanescente e infinito: você não está em casa, mas se sente em casa em toda parte; você vê todo mundo, está no centro de tudo, mas permanece escondido de todos – e esses são apenas alguns dos pequenos prazeres dessas mentes independentes, apaixonadas e imparciais que a linguagem mal pode definir.”

Apesar do meu grande interesse em conhecer diferentes lugares do mundo, não costumo ler muitos livros sobre eles (vou assumir que “Terra Média” ainda não foi considerado um lugar do mundo). Por conta disso, não sei exatamente o que busco – e o que avalio – quando leio uma obra que se propõe a dissertar sobre uma cidade existente, quanto mais uma que eu conheço e adoro.

Em seu livro, White fala sobre o flâneur, um caminhante urbano cuja arte consiste mais ou menos em se deixar levar pela cidade. Não é o caminhar dos turistas, pipocando de um ponto turístico a outro, e sim o caminhar de alguém que tem o mundo por casa. Um andar que não estabelece um trajeto ou um tempo limite, e sim um que se deleita em encarar cada pequeno detalhe da cidade como sendo igualmente digno de atenção.

Escrevendo, o autor passeia por Paris exatamente como um flâneur: saboreando cada aspecto da cidade, deixando-se levar por ela. O livro tem poucas divisões de capítulos e mesmo assim aborda aspectos muito diversos da cidade. Não da Paris turística, nem mesmo da Paris idealizada, mas de uma Paris palpável e real. E faz isso dissertando sobre os aspectos que ajudaram a compor uma cidade tão ímpar: as etnias, as personalidades, os eventos, os pequenos locais...

Acho sensacional como ele consegue passar de um assunto a outro sem que o leitor se dê conta de que está lendo sobre algo diferente: uma hora está falando dos museus, outra hora sobre a Segunda Guerra, e aí sobre a história dos judeus em Paris, tudo isso razoavelmente distante e razoavelmente interligado. Só que a quebra de assunto, que é algo que às vezes me incomoda, aqui funciona bem: sinto na leitura como se eu tivesse dobrado numa esquina e ido parar em uma parte distinta da cidade, com mais fatos interessantes a descobrir. Só posso concluir que, apesar de a escrita parecer ter sido feita por associação livre (e em certa medida acredito que tenha sido), White tem domínio total sobre o passeio, sabendo bem por onde e como conduzir seus leitores.

Li esse livro a conta-gotas, porque ele não exige uma continuidade imediata para que a leitura seja agradável. No final das contas, nessa caminhada despretensiosa por Paris aprendi uma porção de fatos interessantes sobre uma cidade da qual gosto bastante e ampliei minha visão sobre ela, sobre turismo em geral, sobre caminhadas e sobre cidades. Recomendo muito para quem esteja interessado em fazer isso também.


O Livro do Cemitério
The Graveyard Book
Neil Gaiman, 2008

“O céu era vermelho, mas não o vermelho quente de um pôr do sol. Era um vermelho colérico e carrancudo, a cor de uma ferida infeccionada. O sol era pequeno e parecia velho e distante. O ar era frio e eles desciam uma parede. Lápides e estátuas se projetavam da lateral da parede, como se um cemitério imenso estivesse de pernas para o ar e, como três chimpanzés murchos com roupas pretas esfarrapadas que subiam nas costas, o Duque de Westminster, o Bispo de Bath e Wells e o Honorável Archibald Fitzhugh balançavam de estátua a lápide, Nin pendurado entre eles enquanto prosseguiam.”

Este senhor Neil Gaiman atraiu meu olhar com Coraline, me deixou perdidamente apaixonada com Os Filhos de Anansi e retornou com O Livro do Cemitério só para que eu reafirmasse meu amor por ele.

Vou confessar que no começo eu tinha medo de que o livro fosse muito infantil, até porque ele acompanha os primeiros quinze anos de vida de um garotinho. Contudo, apesar de sua escrita e temática serem acessíveis até para uma criança, nem por isso a obra é menos interessante para um adulto. Ao contrário, me parece que ele toca em temas pertinentes a qualquer fase da vida.

Um bebê escapa por um triz de ser assassinado como o resto de sua família. Encontrando abrigo em um cemitério, ele é adotado por um casal de fantasmas e batizado de Ninguém – porque ele não se parece com ninguém. O restante do livro acompanha a infância de Nin no mundo do cemitério, aonde apesar de ainda estar vivo, acaba adquirindo habilidades e trejeitos dos mortos, se misturando entre eles. E, em meio a isso, o assassino de sua família não desistiu ainda de encontrá-lo.

Consigo ver aqui alguns elementos típicos da literatura de Neil Gaiman que tanto me impressionam no cara: a construção de uma mitologia fantástica (nos dois sentidos da palavra); a criação de personagens com os quais o leitor consegue se identificar, aonde mesmo o coadjuvante é desenvolvido com cuidado; a escrita simples, mas extremamente envolvente; e, por fim, uma narrativa que se desenvolve num ritmo sensacional, lenta e fluida ao mesmo tempo. Nesse ponto, me senti da mesma forma como em Os Filhos de Anansi: durante um longo período, eu não tinha a menor idéia de onde o livro estava querendo me levar, mas ele me conduzia de uma forma tão deliciosa que eu tinha certeza de que valia a pena chegar lá.

A história cresce muito com o conflito interno do personagem entre o vasto e quase assustador mundo dos vivos e o mundo dos mortos – que, exalando carisma, parece extremamente “vivo” e encantador – ao qual ele não pertence realmente. Apesar de eu não ter curtido tanto a explicação para o homem chamado Jack – não foi exatamente ruim, mas podia ter sido melhor desenvolvida – o clímax é sensacional. Um elemento em particular me fez ter uma pena absurda de Nin, e a resolução final do livro é o que posso chamar sem dúvidas de “agridoce”. Talvez eu tenha chorado ao final da leitura, talvez não, deixo pra vocês decidirem.

Ah, Gaiman, seu maroto! Você conseguiu de novo!


A Revolução dos Bichos
Animal Farm
George Orwell, 1945

“Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que outros”

E por falar em escritores fodas, cada dia que passava 1984 crescia no meu conceito. Assim, resolvi descobrir se Orson Welles George Orwell era um cantor de um hit só ou se entendia mesmo do riscado.

É complicado falar do livro porque pra mim ele exala o mesmo tipo de genialidade indescritível que Orwell demonstrou possuir em 1984. O cara é extremamente habilidoso em fazer uma crítica política e histórica de forma clara e contundente, sem deixar de lado uma história interessantíssima do ponto de vista literário.

A Revolução dos Bichos é uma das metáforas mais ácidas que a literatura já conheceu. Orwell cria uma fábula, imitando o estilo de uma história infantil, para recontar a Revolução Russa e o Socialismo Realmente Existente (abraço, Saviani). Só que de infantil a fábula dele não tem nada: através do enamoramento pelo poder, das manipulações da mídia e da crueldade com o povão iludido, mais uma vez o cara vem denunciar a face podre da história humana.

O próprio Orwell se declara socialista, mas reconhece que o que o mundo testemunhou na União Soviética nem de longe pode ser chamado de socialismo. E isso ele demonstra através dessa obra, que ilustra a situação de maneira mais eficaz que qualquer livro de história que tenha passado pelas minhas mãos. O final da obra é sensacional e a última frase (que eu queria ter postado ali no começo, mas achei que iria estragar o efeito caso alguém resolvesse ler) é um tapa na cara de muitos que se consideram “socialistas”.

Mesmo sendo livros totalmente diferentes, vejo ligações muito fortes entre as temáticas de A Revolução dos Bichos e de 1984, de forma que o primeiro funciona quase como um prequel para o segundo. Não tenho dúvidas de que 1984 ainda é o meu favorito, mas os dois são dupliplusgeniais. Quem me dera tivessem me feito ler isso no colégio ao invés daquelas marmeladas de história e geopolítica.


A Torre Negra vol. II – A Escolha dos Três
The Dark Tower vol. II – The Drawing of the Three
Stephen King, 1987

“- Será que alguém faria a gentileza de me explicar onde estou e como vim parar aqui? – perguntou a mulher na cadeira de rodas... quase num tom de súplica.
- Bem, vou lhe dizer uma coisa, Dorothy – disse Eddie. – Você não está mais no Kansas”


Apesar de eu agrupar ambos no mesmo post, uns seis meses separaram minha leitura de O Pistoleiro e A Escolha dos Três, segundo volume da série. Se o primeiro livro serviu de gatilho para eu ler o seguinte, o segundo teria a obrigação de ser melhor do que ele, o que determinaria se eu investiria meu precioso tempo nessa série quilométrica ou se deixaria de lado.

A Escolha dos Três é um livro bem mais agradável. Aliás, é um livro muito bom. De fato, é um ótimo livro. É um livro sensacional, cujas quatrocentas páginas passam voando em meio a seqüências e personagens totalmente magnéticos que quase puseram a perder várias das minhas aulas na Faced (eu e meu péssimo hábito de ocupar os intervalos com leituras que vão ocupar minha cabeça por horas).

O livro dá continuidade a O Pistoleiro exatamente no ponto aonde este havia parado mas, apesar de tratar do mesmo universo e (quase) dos mesmos personagens, é um livro bem diferente. Pra começar, explora pouco a mitologia do mundo de Roland, se concentrando mais em explorar os personagens novos, que irão compor o grupo de companheiros do pistoleiro no decorrer de sua jornada. A narrativa é bem linear e os flashbacks servem puramente para contextualizar esses personagens, o que também contribui para que o leitor os conheça e se apegue a eles. Postos esses dois elementos, a leitura é muito mais simples e flui muito melhor do que a do volume anterior.

Aliás, tenho que frisar que o livro é totalmente vitorioso quando decide se focar no desenvolvimento dos personagens, seguramente o maior mérito da história. Roland, que pra mim não fedia nem cheirava (aliás, considerando o que ele faz com um dos meus personagens favoritos, mais fedia do que cheirava), cresce bastante nesse segundo livro, a partir do momento em que começa a interagir com outras pessoas. Suas visitas – e seu conseqüente estranhamento – ao nosso mundo compõem os momentos mais divertidos da série até então. Odetta consegue ser doce e totalmente adorável sem ser insossa em momento algum. Em contrapartida, Detta é absolutamente odiosa, eu quase queria que a personagem morresse, mas considerando que ela é a antagonista principal desse volume, acho que o autor fez um bom trabalho de novo. Não tenho muito a declarar sobre Susanna ainda, mas acho que ela tem um bom potencial. Mas nenhum deles se compara com Eddie. Tem algo de super carismático nele e no senso de humor dele que eu não consigo descrever direito. Quem diria que um viciado em heroína viraria meu personagem favorito de algum livro, hein? Mas virou, e a seqüência inteira envolvendo a porta do Prisioneiro é a melhor passagem da série até o momento.

Só pra não dizer que eu não reclamei nem um pouquinho, achei o final – bem o finalzinho – um pouco morto. O livro é muito movimentado e recheado de momentos de tensão, que encontram seu ápice na saída da porta do Empurrador. Só que depois disso a história meio que dá uma esmaecida, parando num ponto meio genérico, que não deixa tanto gancho para a seqüência. Mesmo assim, a seqüência está na minha lista de leituras futuras, porque se for metade do que é esse aqui já está valendo


***

Em tempo, parei todas as minhas leituras do mundo - mangás, livros, quadrinhos, whatevers - porque ganhei minha própria edição de Os Filhos de Anansi e resolvi "dar uma folhadinha nas primeiras páginas só pra me lembrar como era" que se converteu em ler as primeiras 50 páginas, que se converteram nas primeiras duzentas e sessenta páginas ao cabo de uns quatro dias.

Aaah, o amor!

Vejo vocês no próximo post.



Música: The Rolling Stones - Good Times
TV/PC: Os Normais (1ª Temporada)
DVD/Cinema: A Nova Onda do Imperador
Livros/quadrinhos: Os Filhos de Anansi, Neil Gaiman

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:: Postado por Pri Zorzi :: 21:54 ::
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